Autor: Redação Goiás Aqui
Você olha para seu cachorro sem dizer nada e, ainda assim, ele parece perceber que alguma coisa mudou. Embora o animal também considere o tom de voz, os gestos e a postura corporal, um novo estudo indica que as expressões do rosto humano realmente são processadas pelo cérebro canino.
A pesquisa, publicada na revista científica iScience, analisou 20 cães de diferentes raças. A maioria era de border collies, mas labradores, golden retrievers e animais sem raça definida também participaram do experimento.
Os cães foram treinados para permanecer parados dentro de um aparelho de ressonância magnética funcional. Enquanto os exames eram realizados, eles observavam fotografias de desconhecidos demonstrando diferentes emoções.
Os cientistas optaram por não utilizar imagens dos tutores. Dessa maneira, reduziram a possibilidade de que a convivência anterior e a relação afetiva com uma pessoa conhecida interferissem nas reações.
Os exames identificaram respostas diferentes quando os cães observaram rostos alegres e neutros. As mudanças foram percebidas principalmente em regiões cerebrais equivalentes ao córtex temporal direito.
Os animais também apresentaram padrões distintos diante de expressões de medo e raiva. O mesmo ocorreu na comparação entre medo e tristeza. Já os rostos irritados e tristes não provocaram diferenças cerebrais consideradas significativas pelos pesquisadores.
Na prática, o resultado sugere que os cães não se limitam a separar uma expressão agradável de outra desagradável. Eles conseguem diferenciar algumas emoções humanas específicas, embora nem todas sejam reconhecidas com o mesmo nível de distinção.
Os pesquisadores apontam que a convivência dos cães com seres humanos ao longo do processo de domesticação pode ajudar a explicar essa capacidade. Reconhecer uma expressão positiva teria sido vantajoso para a cooperação e para a comunicação entre as espécies.
Rostos felizes também podem funcionar como sinais de que um comportamento foi bem recebido. Em relação às emoções negativas, os cientistas consideram que os cães parecem perceber melhor aquelas associadas a uma intensidade maior, como medo e raiva, do que sinais mais sutis, como a tristeza.
Isso não significa, porém, que seu cachorro dependa apenas da expressão facial para entender o ambiente. Fora do laboratório, ele observa diversos sinais ao mesmo tempo, incluindo a maneira como a pessoa fala, se movimenta e posiciona o corpo.
A pesquisa mostra, portanto, que o rosto humano oferece informações relevantes para o cérebro dos cães. Mas a percepção dos animais no cotidiano provavelmente resulta da combinação entre expressão facial, voz, gestos e postura.