Data foi instituída como feriado nacional em 1980; devoção à padroeira começou com uma imagem encontrada por pescadores em São Paulo
O dia 12 de outubro foi oficialmente instituído como feriado nacional em honra a Nossa Senhora Aparecida em 1980, durante a primeira visita do então papa João Paulo II ao Brasil. A história da padroeira, porém, começou mais de dois séculos antes, com uma imagem de barro encontrada no Rio Paraíba do Sul.
Em 1717, Domingos Garcia, João Alves e Felipe Pedroso navegavam pelo rio, no estado de São Paulo. Após diversas tentativas frustradas de pesca, encontraram a imagem submersa e a retiraram da água.
Os pescadores identificaram uma representação da Virgem Maria, mais precisamente da Imaculada Conceição. Passaram a chamá-la de Aparecida e começaram a relatar graças e milagres atribuídos à sua intercessão.
A fama do achado se espalhou, e devotos de diferentes regiões brasileiras passaram a chegar em romarias.
Como Aparecida se tornou padroeira?
O reconhecimento veio em 1930, quando o papa Pio XI assinou o decreto que proclamou Nossa Senhora Aparecida padroeira do Brasil.
A cerimônia solene aconteceu no ano seguinte, no Rio de Janeiro, então capital federal. Cerca de 1 milhão de pessoas acompanharam a leitura pública do decreto que declarava Nossa Senhora da Conceição Aparecida padroeira da nação brasileira.
Na mesma ocasião, as bandeiras do Brasil e do Vaticano foram acrescentadas ao manto que veste a imagem.
O que completa 95 anos em 2026?
Os 95 anos se referem à cerimônia realizada em 1931. A assinatura do decreto ocorreu em 1930, enquanto a instituição do feriado nacional aconteceu em 1980. São momentos diferentes da trajetória da padroeira.
Segundo a reportagem da Agência Brasil, cerca de 10 milhões de peregrinos visitam anualmente o Santuário Nacional de Aparecida, em São Paulo, com o objetivo de renovar a fé e confiar intenções à Virgem Maria.
Fé além das fronteiras brasileiras
Para dom Vilson Dias de Oliveira, bispo emérito de Limeira e membro da CNBB, a solenidade tem um significado que ultrapassa o Brasil.
Em carta, o religioso destaca a atenção de Maria aos pequenos e pobres e a importância da devoção para a América Latina. Na avaliação dele, a imagem de barro negro expressa a Igreja de um continente marcado por desigualdades históricas e por uma forte piedade popular.
O bispo também relaciona a pequena imagem recolhida por pescadores simples à valorização dos humildes e à força das pessoas organizadas em comunidade diante dos desafios sociais, econômicos e espirituais.