Molusco vindo da Ásia se espalhou pelos rios brasileiros e virou um problema milionário para as hidrelétricas
Autor: Redação Goiás Aqui
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Um molusco vindo da Ásia se espalhou pelos rios brasileiros e virou um problema milionário para as hidrelétricas. É o mexilhão-dourado, espécie que se prende a estruturas submersas, forma colônias e pode entupir tubulações, filtros e equipamentos.
Segundo levantamento citado dos pesquisadores Guilherme Moreno Taveira, Renato Grillo e Jefferson Nascimento de Oliveira em "Mexilhão Dourado: O Avanço da Espécie em Reservatórios Brasileiros", o setor elétrico gasta US$ 9,97 milhões por ano com prevenção e controle do organismo. Os danos também podem atingir a captação de água, a irrigação, a pesca e a navegação.
Agora, uma pesquisa da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) identificou a espécie em um novo trecho do Rio São Francisco, no Norte de Minas. A descoberta ocorreu a aproximadamente mil quilômetros do registro anterior mais próximo na bacia.
Os pesquisadores coletaram 113 exemplares nos municípios de São Francisco e São Romão. O trabalho de campo ocorreu entre julho de 2024 e abril de 2025, e os resultados foram publicados na revista científica CheckList.
Ao todo, a equipe fez cinco expedições e coletou amostras em 16 estações distribuídas por quatro municípios. O molusco apareceu em todas as estações pesquisadas em São Francisco e em uma de São Romão.
Nos pontos examinados em Ibiaí e Pirapora e no reservatório de Três Marias, não houve registro da espécie.
Uma das hipóteses é que pequenas embarcações tenham levado o mexilhão rio acima. Os pesquisadores ainda investigam essa possibilidade, que não foi comprovada. Na bacia do São Francisco, o registro anterior havia ocorrido entre 2016 e 2017, na região de Sobradinho. A distância entre os pontos encontrados chamou a atenção da equipe.
No Brasil, o mexilhão-dourado chegou no fim dos anos 1990, por embarcações da hidrovia Paraná-Paraguai. Suas larvas circulam pela água, enquanto o molusco consegue se fixar em superfícies rígidas.
As colônias podem bloquear a passagem da água em tubulações e comprometer estruturas de usinas. No ambiente natural, a espécie disputa alimento e espaço com organismos nativos.
A reprodução e a facilidade de dispersão dificultam o controle. A eliminação completa em ambientes já ocupados é considerada improvável com os métodos atuais.
Os pesquisadores defendem ampliar o monitoramento e reforçar a inspeção e a limpeza de embarcações. Também apontam a importância de orientar pescadores e profissionais do turismo náutico.
A ausência de registros no reservatório de Três Marias é vista como uma oportunidade para agir antes que a espécie alcance outras áreas. O estudo começou no Projeto Opará, que acompanha a qualidade da água do São Francisco com o apoio de um barco-laboratório.