Composições lentas, simples e com pouca percussão apresentaram efeitos positivos, mas reação varia conforme o animal
Autor: Redação Goiás Aqui
A música pode ajudar a acalmar cães e gatos em situações de estresse, mas o resultado depende do tipo de som e da resposta individual de cada animal. Pesquisas realizadas em abrigos, hospitais veterinários e residências apontam benefícios principalmente com composições lentas, simples e com pouca percussão.
Os efeitos observados incluem redução de comportamentos relacionados à ansiedade, como andar repetidamente de um lado para outro, tremer e ofegar. Em alguns casos, os animais também permaneceram deitados por mais tempo, comportamento associado a um estado de maior tranquilidade.
Apesar dos resultados positivos, especialistas alertam que não existe uma playlist capaz de produzir o mesmo efeito em todos os animais. As preferências podem variar, assim como ocorre entre os seres humanos.
Um dos projetos citados nas pesquisas acompanhou mais de 150 cães mantidos em abrigos e residências. Os animais foram expostos a composições desenvolvidas principalmente com piano, andamento lento e poucos elementos sonoros. Mais de 70% dos cães observados em abrigos e cerca de 80% daqueles mantidos em residências apresentaram redução de sinais de ansiedade durante a reprodução das músicas.
Outro estudo, realizado pela Universidade Queen’s de Belfast, na Irlanda do Norte, comparou os efeitos de música clássica, audiolivros e silêncio. A música clássica apresentou o efeito mais perceptível em situações de estresse pontual, como viagens longas e consultas veterinárias.
As composições que demonstraram melhores resultados apresentavam andamento de aproximadamente 50 a 60 batidas por minuto ou menos, estrutura simples e pouca ou nenhuma percussão. Os pesquisadores também identificaram associação com a redução do cortisol, hormônio relacionado ao estresse.
O mecanismo responsável pelo efeito ainda não está totalmente esclarecido. Os cães conseguem ouvir frequências superiores às percebidas pelos seres humanos, o que significa que a experiência sonora dos animais não é exatamente igual à nossa.
A música clássica não foi o único estilo relacionado ao relaxamento. Uma pesquisa conduzida em parceria com a Sociedade Escocesa para a Prevenção da Crueldade contra os Animais constatou mudanças comportamentais positivas em cães expostos ao reggae e ao rock suave.
Os pesquisadores, entretanto, observaram diferenças nas preferências individuais. Isso reforça a necessidade de acompanhar como cada animal reage, em vez de insistir em determinado gênero musical.
As pesquisas envolvendo gatos ainda são menos numerosas. Em um estudo com 12 animais sedados durante procedimentos de castração, a música clássica esteve associada a respiração e frequência cardíaca mais lentas.
Outro levantamento, realizado com 35 gatos hospitalizados, indicou que músicas instrumentais, especialmente aquelas tocadas com piano, flauta ou instrumentos de corda, poderiam ajudar a reduzir a frequência respiratória.
Os gatos conseguem ouvir frequências ainda mais altas que os cães. Por isso, músicas muito agudas ou graves podem não produzir os mesmos resultados observados com composições equilibradas e mais suaves.
Os estudos disponíveis geralmente envolvem poucos animais e períodos curtos de observação. Grande parte também foi realizada em abrigos ou hospitais, ambientes diferentes da rotina doméstica.
A orientação é observar a reação do animal. Se ele demonstrar maior relaxamento e redução de comportamentos como tremores, agitação ou respiração ofegante, a música pode estar contribuindo para tornar o ambiente mais confortável.
Caso os sinais de ansiedade sejam frequentes, intensos ou prejudiquem a rotina do pet, a avaliação de um médico-veterinário ou profissional especializado em comportamento animal continua necessária. A música pode funcionar como apoio, mas não substitui o diagnóstico nem o tratamento adequado.