Márcio Canella foi prefeito, tentou disputar o Senado e acabou eleito deputado; PF investiga suspeita de lavagem de dinheiro em postos
Ele recebeu mais de 197 mil votos e foi o segundo deputado estadual mais votado do Rio de Janeiro neste ano. Agora, Márcio Canella (União Brasil) está entre os presos da oitava fase da Operação Unha e Carne, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (15).
Ex-prefeito de Belford Roxo, o político é investigado em uma operação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro por meio de postos de combustíveis. O ex-chefe da Polícia Civil do Rio, Marcus Amim, também foi preso.
A assessoria de Canella informou nesta manhã que ainda não havia tido acesso aos autos da investigação.
De vereador a deputado eleito
A carreira política de Canella tem como base Belford Roxo, na Baixada Fluminense. Ele foi vereador, deputado estadual e prefeito do município, cargo conquistado nas eleições de 2024. Neste ano, deixou a prefeitura com a intenção de disputar o Senado. Depois, concorreu à Assembleia Legislativa e conquistou uma vaga.
Antes da eleição, o político já havia sido preso em outra fase da Operação Unha e Carne. Em julho, a PF encontrou um fuzil em seu veículo durante o cumprimento de buscas.
O que aconteceu na prisão anterior?
A defesa sustentou que a arma encontrada em julho pertencia ao policial militar responsável pela segurança de Canella. Os advogados afirmaram que o armamento era legalizado e registrado. O político foi solto posteriormente.
A nova prisão foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, durante o avanço das investigações. Outros quatro policiais civis também foram presos nesta quinta-feira.
Por que a investigação é bilionária?
A apuração identificou movimentações superiores a R$ 7,6 bilhões em seis anos, conforme relatório do Coaf. A suspeita é de que postos de combustíveis tenham sido usados para lavar dinheiro.
O montante movimentado não equivale, por si só, a um valor comprovadamente lavado. A participação de cada investigado permanece sob apuração.
A operação inclui seis mandados de prisão e 16 de busca e apreensão em sete cidades do estado. Também foram determinadas medidas de sequestro de bens e valores e suspensão das atividades de 112 empresas investigadas, a maioria postos de combustíveis.