Tumores mamários são frequentes em cadelas e também podem atingir gatas e animais machos
Autor: Redação Goiás Aqui
Durante um banho ou momento de carinho, o tutor percebe um pequeno caroço na barriga da cadela ou da gata. Mesmo que o animal não demonstre dor, a alteração não deve ser ignorada: cães e gatos também podem desenvolver tumores nas mamas.
O Outubro Rosa Pet aproveita o mês de conscientização sobre o câncer de mama para reforçar a importância das consultas veterinárias e da observação frequente dos animais.
Os tumores mamários atingem principalmente as fêmeas por causa da influência de hormônios como estrógeno e progesterona. A doença também pode aparecer em machos, embora seja menos comum.
“Quando as fêmeas entram no período de cio, de forma natural, acabam tendo uma grande descarga hormonal no organismo, o que também pode levar ao aparecimento do câncer”, explica a médica-veterinária Nicole Cherobim.
Caroços são um dos sinais mais conhecidos, mas não são a única alteração que exige atenção. Inchaço, dilatação das mamas, dor ao toque e presença de secreções também precisam ser investigados.
Feridas na região, mudança no formato das mamas ou aumento repentino de volume são outros motivos para procurar um médico-veterinário.
Nem sempre, porém, a doença apresenta sinais visíveis no início. Por isso, não basta esperar alguma alteração aparecer para levar o animal à consulta.
O tutor pode aproveitar os momentos de banho e carinho para passar delicadamente as mãos pela cadeia mamária. Se perceber algo diferente, não deve apertar o nódulo, tentar retirar secreções ou dar medicamentos por conta própria.
Os tumores mamários são as lesões tumorais mais frequentes em cadelas. Nas gatas, aparecem como a terceira neoplasia mais comum.
Informações divulgadas pelo Conselho Regional de Medicina Veterinária de Goiás indicam que, entre as cadelas predispostas ao desenvolvimento de neoplasias, a ocorrência de tumores mamários varia de 45% a 50%. Entre as gatas predispostas, fica entre 20% e 30%.
A doença costuma ser diagnosticada principalmente entre os 7 e os 12 anos nas cadelas. Nas gatas, a maior frequência é observada entre os 10 e os 11 anos.
A idade não é o único fator estudado. Influência hormonal, obesidade, alimentação e predisposição individual também podem participar do desenvolvimento da doença.
Nem todo nódulo mamário é maligno, mas somente a avaliação veterinária pode esclarecer a natureza da alteração. Depois do exame clínico, podem ser solicitados exames de imagem e análises laboratoriais.
Em muitos casos, a confirmação do tipo de tumor depende do exame histopatológico, feito a partir da análise de uma amostra do tecido.
Quando a doença está restrita à mama, a cirurgia costuma ser o principal tratamento. A extensão do procedimento dependerá da localização, da quantidade e do tamanho das lesões.
Nos tumores malignos e agressivos, a quimioterapia pode ser utilizada depois da cirurgia. A presença de metástases nos linfonodos ou em outros órgãos também influencia a escolha do tratamento e o prognóstico.
O uso de anticoncepcionais para evitar o cio, muitas vezes chamado de “vacina anti-cio”, é desaconselhado sem avaliação profissional. As substâncias hormonais presentes nesses medicamentos estão associadas ao desenvolvimento de alterações mamárias e tumores.
A castração pode ajudar a reduzir a exposição aos hormônios relacionados à doença. O momento adequado para o procedimento, contudo, precisa ser discutido com o veterinário.
A decisão deve considerar o porte, a raça, a idade e o estado de saúde do animal. Isso porque a castração feita muito precocemente também pode estar relacionada a consequências específicas em determinados animais.
Além de conversar sobre a castração, manter o peso adequado e levar o pet regularmente ao veterinário são medidas importantes. Quanto mais cedo uma alteração for identificada, maiores serão as possibilidades de tratamento e de preservação da qualidade de vida.