Autor: Redação Goiás Aqui
O cachorro passou a seguir a tutora pela casa, ficou mais carinhoso ou começou a demonstrar ansiedade. O gato, por sua vez, passou a dormir mais perto dela ou a estranhar mudanças na rotina. Comportamentos como esses levam muitas famílias a acreditar que os animais possuem um “sexto sentido” capaz de identificar uma gravidez.
A explicação científica é um pouco diferente. Cães e gatos podem realmente perceber que algo mudou, mas isso não significa que eles saibam que um bebê está a caminho.
Durante a gestação, o corpo feminino passa por alterações hormonais e metabólicas capazes de modificar o odor corporal. Também mudam a temperatura, o sono, a postura, a forma de caminhar e o nível de atividade. Como os animais observam atentamente o ambiente e possuem olfato muito mais sensível que o dos seres humanos, eles podem reagir a esse conjunto de novidades.
Um dos principais estudos recentes sobre o assunto foi conduzido por pesquisadores da Queen’s University Belfast, na Irlanda do Norte, Reino Unido. O trabalho foi publicado em 2025 na revista científica Anthrozoös, especializada nas relações entre pessoas e animais.
A pesquisa, assinada por Sarah Wilson, Olivia Milne, Sophie Jacques e Catherine Reeve, avaliou relatos de 130 pessoas que conviviam com cães quando ficaram grávidas.
Entre os participantes, 65,4% afirmaram ter percebido alguma mudança no comportamento do animal durante a gestação. Aproximadamente 27% disseram que os cães começaram a agir de maneira diferente antes mesmo de elas descobrirem a gravidez.
Foram relatados comportamentos como maior busca por atenção, proximidade constante, vigilância, ansiedade e mudanças na reação diante de outras pessoas ou animais.
Os próprios pesquisadores, no entanto, fazem uma ressalva importante: o estudo foi baseado na percepção dos tutores. Os animais não foram submetidos a um teste controlado para verificar se conseguiam identificar a gravidez pelo cheiro ou por outro sinal específico.
Por isso, a pesquisa mostra uma associação entre a gestação e mudanças percebidas no comportamento dos cães, mas não comprova que eles saibam que a mulher está grávida.
O estudo britânico analisou apenas cães. No caso dos gatos, sabe-se que eles também possuem olfato apurado e são sensíveis a mudanças ambientais.
Eles podem notar novos odores, alterações nos horários da casa, períodos maiores de descanso da tutora e a chegada de objetos como berço, carrinho e móveis. Alguns ficam mais próximos, enquanto outros podem se esconder ou demonstrar incômodo.
Não existe uma reação igual para todos. O comportamento depende da personalidade, do histórico, da relação com a tutora e da capacidade do animal de lidar com mudanças.
É comum interpretar a aproximação do animal como ciúme ou instinto de proteção. Entretanto, especialistas recomendam cuidado com explicações que atribuem sentimentos humanos aos pets.
O cão pode seguir a tutora porque percebeu que ela está se movimentando de forma diferente. Também pode buscar contato diante de mudanças na rotina ou reagir ao estado emocional da família.
Já um animal que se afasta não está necessariamente rejeitando a gestante. Ele pode estar apenas inseguro diante dos novos cheiros, movimentos e hábitos.
A chegada do bebê costuma provocar uma mudança ainda maior na casa. Por isso, a adaptação do pet deve começar durante a gestação.
Se os horários de passeio, alimentação ou brincadeiras terão de mudar, o ideal é fazer as alterações aos poucos. Carrinho, berço, brinquedos e sons de choro também podem ser apresentados gradualmente, sempre de maneira tranquila e associados a experiências positivas.