Sistema calcularia a velocidade média dos veículos em um trecho de 5,46 quilômetros; agência fará ajustes antes de iniciar o projeto.
Autor: Redação Goiás Aqui
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A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) suspendeu temporariamente os testes com radares capazes de calcular a velocidade média dos veículos nas rodovias. Em Goiás, o projeto seria realizado em um trecho da BR-414, no perímetro urbano de Anápolis.
A interrupção foi anunciada poucos dias depois da autorização para os testes. Segundo a agência, a medida permitirá a realização de análises técnicas e ajustes operacionais, especialmente nos procedimentos de sinalização e comunicação com os motoristas.
Ainda não há uma nova data para o início do projeto. A ANTT afirma que a suspensão é temporária.
Em Goiás, o sistema seria implantado pela Ecovias do Araguaia em um segmento de 5,46 quilômetros da BR-414, no sentido Sul. O trecho fica entre o km 434+640 e o km 440+100, ligando o entroncamento com a BR-153 à região do Jardim Promissão, em Anápolis. A autorização havia sido publicada pela Superintendência de Infraestrutura Rodoviária da ANTT em 11 de setembro.
O período experimental teria duração inicial de 180 dias, contados a partir da implantação e do começo do monitoramento. O prazo poderia ser prorrogado ou encerrado antecipadamente.
Diferentemente dos radares tradicionais, que registram a velocidade do veículo em um único ponto, o novo sistema utiliza equipamentos instalados em dois locais de uma rodovia.
Ao passar pelo primeiro ponto, a placa e o horário do veículo são registrados. O processo se repete no segundo equipamento. A partir da distância percorrida e do tempo gasto, o sistema calcula a velocidade média mantida pelo motorista no trecho.
O objetivo é identificar condutores que reduzem a velocidade apenas nas proximidades dos radares e aceleram novamente depois de passar pelos equipamentos. Esse comportamento é conhecido como “efeito canguru”.
Durante o período experimental, os motoristas não seriam multados exclusivamente pelos registros da velocidade média. Os dados seriam utilizados para avaliar a confiabilidade das informações, o funcionamento dos aparelhos e o comportamento dos usuários.
Os trechos monitorados também deveriam receber sinalização específica, informando o início e o fim da área analisada e o limite de velocidade permitido.
Além de Goiás, os testes estavam autorizados em rodovias do Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
A fiscalização por velocidade média ainda não está prevista de forma específica no Código de Trânsito Brasileiro. Desde 2015, propostas relacionadas ao sistema foram apresentadas na Câmara dos Deputados, mas a medida não se tornou regra nacional.
Em 2017, a Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo realizou uma experiência educativa em avenidas da capital paulista. No primeiro mês, aproximadamente 230 mil veículos foram identificados acima da velocidade média permitida, mas os motoristas receberam apenas notificações educativas.
Um teste mais recente realizado na BR-101, no Espírito Santo, apontou que cerca de 10% dos veículos observados em um trecho de 23 quilômetros ultrapassaram o limite médio estabelecido. Nenhuma multa foi aplicada.